sexta-feira, 23 de maio de 2014
A EDUCAÇÃO EM KANT
A EDUCAÇÃO EM KANT
Para Kant é somente a partir da educação que o homem pode
alcançar, com plenitude, sua humanidade, pois a educação o constrói,
fazendo com que ele seja capaz de gozar sua liberdade. A liberdade plena
só pode ser alcançada a partir do momento em que o homem compreende que deve
cumprir a lei moral e é capaz de cumpri-la. O papel da educação é aperfeiçoar
as disposições que o homem já traz dentro de si referentes a esta lei.
O autor considera que a educação deve atender a quatro aspectos
imprescindíveis para seu desenvolvimento: a disciplina, a cultura, a civilidade
e a moralidade. Segundo sua classificação a disciplina seria o componente
principal da Educação Física que visa impedir que os resquícios de animalidade
do homem prejudiquem sua humanidade uma forma de domar sua
selvageria. Depois de disciplinado, o homem encontra-se em condições de entrar
em contato com os demais aspectos que unidos constituem o que Kant
denominou Educação Prática, também conhecida como educação moral.
O homem nasce com disposições naturais para o bem, no entanto
estas disposições desenvolvem-se enquanto virtudes a partir do contato com a
Educação Prática. A Educação Prática de Kant consiste em trabalhar no homem sua
habilidade, sua prudência e sua moralidade aspectos que somados estão
diretamente relacionados à formação de seu caráter. Quanto às virtudes podemos
compreendê-las como a capacidade que o homem desenvolve em si de agir conforme
o dever estabelecido por ele mesmo por meio da razão. É a razão que nos permite
conhecer a lei moral que encontra-se em nós. Tal lei é um imperativo
categórico, pelo fato de ser uma ação boa em si mesma, um princípio ordenado
por nossa razão.
A habilidade precisa ser trabalhada para que o homem consiga todos
os seus fins e possua um valor em relação a si como indivíduo; a prudência lhe
proporciona um valor público preparando-o para tornar-se cidadão; a moral lhe
agrega valores relacionados à espécie humana como um todo.
Em linhas gerais, Kant vê na educação (mais especificamente na
educação prática tendo em vista que a educação física está mais relacionada a
questão de cuidados para a manutenção do corpo e na contenção do homem)
um passaporte para a perfeição da humanidade. Cada geração se aperfeiçoaria mais
que a anterior visando um ideal de perfeição, que segundo o próprio autor,
estaria apenas no plano das idéias, porém impulsionaria os homens para que
gradativamente geração após geração buscassem atingi-lo.
Sua obra apesar de ter sido elaborada exclusivamente no campo
teórico, sem relações empíricas com o meio infantil e escolar é reconhecida
como um marco da pedagogia iluminista, pois representa a confiança da reforma
da sociedade através da educação. Este é um dos traços da pedagogia kantiana
que pode ser encontrado ainda hoje no ideário educacional.
Com vistas na configuração do ideal de perfeição humana baseado na
educação tão difundido na obra de Kant, criou-se o termo pedagogia da
qualidade, segundo o qual há um ideal pedagógico perfeito que se busca
alcançar. Este ideal foi desenvolvido e aprofundado com pesquisas científicas
por uma série de pensadores dos quais destacam-se: Freud, Montessori, Vigotsky,
Piaget, Pestalozzi, entre outros segundo a professora da Universidade de
Brasília, Bárbara Freitag.
Apesar das correntes favoráveis à pedagogia kantiana, alguns
pesquisadores não vêem sua efetivação na prática. O professor Jürgen Oelkers da
Faculdade de Filosofia da Universität Zürich (Suíça) considera a passagem da
filosofia kantiana para a prática pedagógica problemática, porque não resolve
as lacunas existentes entre teoria e prática por não oferecer o encadeamento
entre ambas ficando apenas no âmbito da exigência do dever. Ainda segundo
o professor só é possível observar, de fato, essa ponte a partir do paradigma
proposto por Locke. Segundo este todas as aprendizagens, incluindo a moral,
provém do meio externo para o interno de modo a conduzir os homens para o
caminho que se espera chegar, pois para Locke não existe idéias nem predisposições
inatas o homem é visto como uma tabula rasa onde as idéias são impressas.
Não podemos deixar de considerar a influencia de Kant na educação.
Seus pressupostos permeiam o cenário escolar até os dias de hoje e são
refletidos na prática docente. No entanto, é importante ressaltar que a
pedagogia de Kant, bem como sua filosofia, partem do princípio da
universalidade do ser humano, sem considerar o contexto específico em que se
desenvolve sua moralidade. Isso, de fato, dificulta sua aplicação na prática já
que a educação é um processo repleto de especificidades.
O empirismo crítico de John Locke
O empirismo crítico de John Locke
A filosofia empírica (do grego empeiria
= experiência)
ganha formulação paradigmática, sistemática, metodológica e crítica consciente
a partir de Locke.
Seguindo a linha tradicional do
empirismo, que admite que todo conhecimento vem da experiência, portanto, dos
sentidos, Locke busca compreender qual a gênese, a função e os limites do
entendimento humano. Para isso, critica a noção cartesiana de sujeito como
substância. “A mente é uma tabula rasa”, já diria Aristóteles, que é retomado aqui para evidenciar que nada
não existe na mente que não estivesse antes nos sentidos.
De acordo com Locke, a mente é como
uma cera passiva, desprovida de conteúdos, em que os dados da sensibilidade vão
imprimindo ali as ideias que podemos conhecer. Aqui, ideia não tem o mesmo
significado que em Descartes (ou se tem, trata-se apenas das adventícias, não
das inatas). As ideias inatas existem no espírito humano, são anteriores ao
nascimento e coordenam, assim, o modo como o homem conhece. Mas para o filósofo
empirista, o saber humano é determinado pelas impressões vindas da sensação,
não de um fundamento inteligível inato. Corpo e mente são uma coisa só, não são
distintos como em Descartes. Notem que ainda estamos trabalhando com a noção de
sujeito como fundamento, mas agora não mais um sujeito universal (razão) e sim
um sujeito particular no qual todas as representações (ideias) estão encerradas
no modo como cada indivíduo percebe a realidade. Fica então a pergunta: como
universalizar os juízos, já que as representações são particulares? Eis a
resposta a seguir.
Em primeiro lugar, para Locke a única
coisa que pode ser inata no homem é a capacidade de depreender (abstrair)
ideias dos fatos singulares (como em Aristóteles) e não que as próprias ideias
sejam inatas (como em Descartes). Em seu Ensaio sobre o entendimento
humano, Locke faz uma
espécie de mapeamento de como em nossa mente se produzem as ideias. As ideias
derivam das sensações. Não existe pensamento puro sobre conceitos meramente
inteligíveis, mas pensar é sempre pensar em algo recebido pelas sensações impresso
em nossa mente. A experiência nada mais é do que a observação tanto dos objetos
externos como das operações internas da mente. Pensamento não é formal, mas sim
uma síntese entre forma e conteúdo derivados da experiência e limitados a esta.
A experiência pode ser de dois tipos:
1. Externa, da qual derivam as ideias
simples de sensação (extensão, figura e movimento, etc.);
2. Interna, da qual derivam as ideias
simples de reflexão (dor, prazer, etc.).
Dessa forma, Locke chama de qualidade o poder que as coisas têm de produzir
as ideias em nós e distingue entre:
Qualidades
primárias –
são as qualidades reais dos corpos das quais as ideias correspondentes são
cópias exatas;
Qualidades
secundárias –
são as possíveis combinações de ideias, sendo em parte subjetiva, de modo que
as ideias delas não correspondam exatamente aos objetos (cor, sabor, odor,
etc.).
A mente, segundo Locke, tem tanto o
poder de operar combinações entre as ideias simples formando ideias complexas,
como o de separar as ideias umas das outras formando ideias gerais.
São três os tipos de ideias
complexas:
1. Ideias de modo, que são afecções
da substância;
2. Ideias de substância, nascidas do
costume de se supor um substrato em que subsistem algumas ideias simples, e
3. Ideias de relações, que surgem do
confronto que o intelecto institui entre as ideias.
Locke admite também a ideia geral de
substância, obtida por abstração e não nega a existência de substâncias, mas
sim a capacidade humana de ter ideias claras e distintas. Conforme Locke, a essência
real seria a
estrutura das coisas, mas nós conhecemos apenas a essência nominal, que consiste no conjunto de
qualidades que deve ter para ser chamada com determinado nome. Assim, a
abstração (que nos antigos era o meio pelo qual se alcançava a essência do ser)
torna-se, em Locke, uma parcialização de outras ideias complexas: o geral e o
universal não pertencem à existência das coisas, mas são invenções do próprio
intelecto que se referem apenas aos sinais das coisas, sejam palavras ou
ideias.
O conhecimento, então, consiste na
percepção da conexão ou acordo (ou do desacordo e do contraste) entre nossas
ideias.
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